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Ser catequista é um chamado de Deus

Tema 2.3 - O ser do catequista: seu rosto cristão.

“Ser catequista é viver uma vocação característica dentro da Igreja. Ela é uma realização da vocação batismal. Pelo Batismo, todo cristão é mergulhado em Jesus Cristo, participante de sua missão profética: proclamar o Reino de Deus. Pela Crisma, o catequista é enviado para assumir sua missão de dar testemunho da Palavra com força e coragem”. Doc. 59 (Estudos da CNBB), n. 44.


Ser catequista é um chamado de Deus. Deus chama por meio de acontecimentos e pessoas.

Seu chamado geralmente se faz através de uma mediação. Não ouvimos a voz de Deus diretamente, nem O vemos. Deus se comunica conosco através de ”sinais” ou mediações. Pode ser uma pessoa, uma leitura, o contato com a realidade humana ou um acontecimento. Seu chamado faz um forte apelo ao engajamento, à ação e ao compromisso com a Igreja.


A palavra vocação significa ação de chamar. Supõe o encontro de duas liberdades: a absoluta de Deus, que chama, e a liberdade humana, que responde a esse chamado. Qualquer pessoa pode chamar outra para dizer algo. Mas, quando usamos a palavra “vocação”, estamos falando de um chamado especial de Deus e, de outro lado, uma resposta livre, pessoal e consciente do vocacionado.


Vocação é algo que atinge decisivamente a existência de uma pessoa. Perceber através dos acontecimentos da história, assumir e viver fielmente a vocação é o caminho para os que desejam realizar a vontade de Deus, antes mesmo que a sua própria vontade.


A vocação é iniciativa de Deus que nos convoca para uma missão e é também resposta convicta que damos a Ele, colocando-nos à sua disposição. O catequista alguém que, com raízes na fé, na oração e na vida do povo, percebe a urgência de emprestar seu coração, sua voz, todo o seu ser a Deus e torna-se instrumento do seu amor e da sua bondade para uma comunidade. É a pessoa que continua o caminho aberto por tantos profetas, apóstolos, discípulos e discípulas de Jesus que deram a vida pela causa do Evangelho.


Para partilhar: Como senti o chamado de Deus para ser catequista? Quais os meios (mediações) que Deus se utilizou para me chamar?

A vocação do catequista é, antes de tudo, profética. Como um verdadeiro proclamador da Palavra, o catequista é chamado a ser a antena de Deus no meio do seu povo, captando os sinais de vida e de morte e apresentando sempre a pessoa de Cristo como referência e caminho seguro.


Ser catequista-profeta exige firmeza, coragem para apontar tudo aquilo que contraria a vontade de Deus; requer testemunho que fala mais do que as próprias palavras. É sondando a vida de seu povo que o catequista descobre os apelos que Deus lhe faz e se sente verdadeiramente chamado por Ele e pelas pessoas que dele precisam.


Uma vocação só se mantém numa autêntica espiritualidade. Sem intimidade com Deus e capacidade de acolher a sua vontade, tantas vezes misturada à dura realidade da vida, nenhuma vocação amadurece, nenhum catequista dá conta de sua missão.

Por isso mesmo, a vida de oração é fundamental para sustentar o ministério do catequista. E não somente a oração particular, mas a participação na comunidade que reza e celebra sua fé, a meditação constante da Bíblia e a experiência de Deus que se faz, de modo especial, no amor aos mais pobres e necessitados.


A descoberta e vivência da vocação do catequista se dão na Igreja, na vida em comunidade.

Toda missão catequética deverá ter a consciência de que o catequista é Igreja e atua sempre em nome dela. Sendo catequista do povo, exercerá sua missão com a sensibilidade de quem conhece bem a realidade do mundo, ouve os clamores de sua gente e é capaz de levar sempre uma proposta que encontre eco no coração das pessoas.


O documento Catequese Renovada (CR) já lembrava: “integrado na comunidade, conhece sua história e suas aspirações e sabe animar e coordenar a participação de todos” (CR 144); “é porta-voz da experiência cristã de toda a comunidade” (CR 145). Assim, ele vence qualquer isolamento ou individualismo. Sua vocação será tanto mais compreendida e vivida com alegria, quanto mais o catequista fizer a experiência fraterna no grupo de catequistas e na sua comunidade.


O medo é um grande obstáculo à vivência de uma vocação madura. Muitas pessoas deixam

de servir a Deus e aos irmãos, renunciando à própria felicidade, porque têm medo de fracassar, de não serem compreendidos. É preciso crescer na certeza de que a obra é de Deus e, se Ele nos convida para o seu serviço, também nos dá as graças necessárias para bem realizá-lo. O medo e a insegurança não podem ser obstáculos a uma resposta positiva ao chamado de Deus.


O catequista consciente de sua vocação e da beleza de sua missão, é alguém que serve a sua comunidade com alegria. Ele sabe que não é um funcionário da Igreja, mas voluntário e alegre servidor do Reino que procura fazer tudo com muito amor.

É aquele que contagia os outros com seu entusiasmo. Vibra diante dos desafios que encontra, pois sabe que Deus o colocou ali para abrir caminhos, para semear a esperança, para construir a vida.


Vamos recordar algumas pessoas que são estímulo para a nossa vocação. São testemunhos

de pessoas que, tocadas pelos apelos da vida, pelos acontecimentos da história, da sua comunidade e do seu povo responderam corajosamente ao chamado de Deus:


• Abraão (Gn 12, 1-9; 15,1-20): A vocação de Abraão está ligada à história de cada vocação:

sair de si mesmo para construir um mundo melhor. Deus o chamou para liderar o projeto da

formação do povo de Deus.


• Moisés (Ex 3,1-12; 6,2-13): Foi chamado para ser animador do povo. Foi chamado

especificamente para ser instrumento da libertação de Deus para o povo.


• Jeremias (Jr 1, 4-10; 15,10-21): Jeremias, como os demais profetas são chamados para o

anúncio da Palavra e para a denúncia das injustiças, dando a própria vida.


Para aprofundar: Tem algum relato de vocação na Bíblia que me chama a atenção? Vamos

procurar mais um exemplo de vocação que possa iluminar a vocação do catequista?


Um apoio para a reflexão:


“O fruto da evangelização e da catequese é fazer discípulos, acolher a Palavra,aceitar Deus na própria vida, como dom da fé. O seguimento de Jesus Cristo realizasse na comunidade fraterna. O discipulado, como aprofundamento do seguimento, implica renúncia a tudo o que se opõe ao projeto de Deus” (DNC 34).


"A Catequese é um ato essencialmente eclesial. Não é uma ação particular. A Igreja se edifica a partir da pregação do evangelho, da catequese, da liturgia, tendo como centro a celebração da Eucaristia. A catequese é um processo formativo, sistemático, progressivo e permanente de educação da fé. Promove a iniciação à vida comunitária, à liturgia e ao compromisso pessoal com o Evangelho. Mas prossegue pela vida inteira, aprofundando essa opção e fazendo crescer no conhecimento, na participação e na ação” (DNC 233).


“Conhecer a Jesus Cristo pela fé é nossa alegria; segui-lo é uma graça, e transmitir este tesouro aos demais é uma tarefa eu o Senhor nos confiou ao nos chamar e nos escolher” (DA 18).

“Aos catequistas, delegados da Palavra e animadores de comunidades que cumprem uma magnífica tarefa dentro da Igreja, reconhecemos e animamos a continuarem o compromisso que adquiriram no batismo e na confirmação” (DA 211).


“Quanto à situação atual da catequese, é evidente que tem havido um progresso. Tem crescido o tempo que se dedica à preparação para os sacramentos. Tem-se tomado maior consciência de sua necessidade tanto nas famílias como entre os pastores. Compreende-se que ela é imprescindível em toda formação cristã. Tem-se constituído ordinariamente comissões diocesanas e paroquiais de catequese. É admirável o grande número de pessoas que se sentem chamadas a se fazer catequistas, com grande entrega. A elas, esta Assembléia manifesta um sincero reconhecimento” (DA 295).


“A catequese não deve ser só ocasional, reduzida a momentos prévios aos sacramentos ou à iniciação cristã, mas sim “um itinerário catequético permanente” (DA 298).


“O encontro com o Ressuscitado transforma o medo em coragem; a fuga em empolgação; o retorno em nova iniciativa; o egoísmo em partilha e compromisso até a entrega da vida” (Texto Base do Ano Catequético, n. 3).


“A catequese, começando pela iniciação cristã e chegando a constituir-se em um processo de formação permanente, é caminho de encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo, que é capaz de mudar nossa vida, levar ao engajamento na comunidade eclesial e ao compromisso missionário. Quem se encontra com ele, põe-se a caminho em direção aos irmãos, à comunidade e à missão. (Texto Base do Ano Catequético, n. 6).


Fonte: Diocese de Pouso Alegre/MG.

Estudo de formação - O Ministério do Catequista - CNBB95






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