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18º Domingo do Tempo Comum, Ano C

A Liturgia da Palavra deste 18º Domingo Comum – C, quer colocar-nos perante a realidade de que os Bens do Mundo, só por si, são uma falsa segurança. Uma das necessidades fundamentais do homem de todos os tempos é a Segurança.

Ele procura apaixonada e necessariamente, um fundamento estável onde possa apoiar a sua existência, o que é absolutamente razoável, em ordem ao futuro tranquilo da sua velhice e da sua vida.


Ora, normalmente, são os bens do mundo, mais propriamente a posse do dinheiro, o que se usa e pelo qual se luta para alcançar a tal garantia para a Segurança na vida. Mas o dinheiro, ajuda muito, mas não paga tudo, de modo que não serve, só por si, como uma garantia completa de Segurança, mesmo nesta vida.


A 1ª Leitura, do Livro de Eclesiastes diz-nos claramente que a acumulação da riqueza gera a injustiça social – a desproporcionada repartição dos bens criados por Deus para a sobrevivência e sustento do homem.


- «Desilusões e mais desilusões (...). De que aproveitam ao homem todos os seus trabalhos e ânsias do seu coração, pelas quais se afadigou debaixo do sol? (1ª Leitura).

Os bens materiais, sendo bons servidores, são maus mestres pois deixam o homem de coração e mãos vazias. O apego demasiado e desmedido às coisas deste mundo é vão e cria no homem um estado de preocupação e de insatisfação. É bom guardar algum tempo para esquecer os bens materiais e poder ouvir a voz do Senhor, como proclama hoje o

Salmo Responsorial :


- “Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações”.

Na 2ª Leitura, S. Paulo diz aos Colossenses, e hoje também a todos os homens que pretendem uma segurança para o seu futuro, que a aceitação de Jesus como único Senhor, supõe uma sujeição de tudo a Ele, o bem e o mal, e a própria incerteza da vida, a qual está nas mãos de Deus.


- “Afeiçoai-vos às coisas do alto, não às coisas da Terra. Pois vós morrestes e a vossa vida está escondida, com Cristo em Deus”. (2ª Leitura).

O futuro do homem está escondido em Cristo Jesus e só a ressurreição no-lo revelará.Eis porque deveremos orientar toda a nossa vida para Cristo.E isto é já despojarmo-nos do homem velho e revestirmo-nos do homem novo.


O Evangelho é de S. Lucas, em que ele próprio não ignora as desigualdades sociais, injustas na maioria dos casos, no mundo greco-romano, pois nos apresenta alguns casos em que se manifesta claramente a preocupação pelos bens do mundo.


- «Que hei-de fazer, se não tenho onde guardar a minha colheita.(...) Ó minha alma tens muitos bens em depósito para longos anos...».(Evangelho).

Para o rico e avarento, o único motor da vida é o dinheiro; e nenhum outro valor lhe merece quaisquer cuidados. Condenando este procedimento, Jesus apresenta uma parábola onde o homem calculista se vê, de um momento para o outro, na presença de Deus. O problema da divisão da riqueza é um dos mais graves a todos os níveis.


Como intervém Cristo nesta situação ?

Porque é que Cristo se recusa a ser juiz entre os dois ?

É porque a sua missão não é a de fazer justiça pelo caminho do poder.

O poder justifica-se moralmente quando se põe ao serviço da justiça.


Cristo não o condena enquanto poder; só que o poder não é o caminho que ele escolheu para “fazer justiça”. Cristo retoma, acima de tudo, o ensinamento da sabedoria humana, já expresso no Antigo Testamento, traduzindo-o na Parábola do rico insensato.As coisas materiais só por si, são uma falsa segurança. A sua posse é, na realidade, ilusória : o rico é possuído pelas coisas, mas não as possui.


A morte revela com evidência esta grande verdade, porque tudo cá fica. A meditação da morte, ainda que aparentemente indesejável, liberta o homem de uma ilusão, uma primeira libertação das coisas puramente materiais. Não é, porém, uma libertação de tipo moralista. Jesus não quer inculcar nos seus ouvintes abastados o temor de uma morte repentina e individual, que desvaneceria as suas esperanças. Na verdade, tem-se aqui uma visão escatológica da morte, relacionada com o juízo de Deus.


O único fundamento seguro da existência é Deus. Nele adquire sentido o uso das coias, boas em si. Não serão mais instrumento de divisão, mas de comunhão. O homem não as guarda egoisticamente para si, mas transforma-as em “sinal” de amor.


Segundo o Concílio Vaticano II :

- “Deus destinou a terra, com tudo o que ela contém, para o uso de todos os homens e povos, de tal modo que os bens criados devem bastar a todos, com equidade, sob as regras da justiça, inseparável da caridade. Sejam quais forem as formas de propriedade, adaptadas às legítimas instituições dos povos, segundo circunstâncias diversas e imutáveis, deve-se atender sempre a esta destinação universal dos bens”.(GS 69).

Pois a presença de Deus, no juízo e no uso dos bens materiais, é um ideal que nos orienta nesta vida para o cumprimento do plano da História da Salvação.


Diz o Catecismo da Igreja Católica :

2536. – O décimo mandamento condena a avidez e o desejo desmesurado duma apropriação dos bens terrenos; proíbe a cupidez desregrada, nascida da paixão imoderada das riquezas e do seu poder. Interdita também o desejo de cometer uma injustiça pela qual se iria prejudicar o próximo nos seu bens temporais.


2424. – Uma teoria que faz do lucro a regra exclusiva e o fim último da atividade econômica, é moralmente inaceitável. O apetite desordenado do dinheiro não deixa de produzir os seus efeitos perversos e é uma das causas dos numerosos conflitos que perturbam a ordem social.



John Nascimento

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