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17º Domingo do Tempo Comum, Ano C

"Perdoai-nos... como nós perdoamos"

Quando aprenderemos, nós que teimamos em ser uma geração sem Deus e que, mesmo quando crentes, alimentamos hábitos de uma civilização ateia, quando aprenderemos, repito, que o Deus que dizemos existir no Céu, só quer a nossa felicidade ?


Quando nos deixaremos enternecer e fascinar pela gratuidade deste Pai do Céu que não nos pede nada nem nada nos tira e que apenas quer ensinar-nos a viver e a tirar o melhor partido de todos os bens com que nos gratifica ?


Quando nos deixaremos render pela descrição e delicadeza deste Amor que não faz chantagem afetiva nem usa de artifícios para se impor mas que, respeitando a nossa liberdade, mais do que nós mesmos, apenas bate à porta e aguarda que lha abramos ?


Quando corresponderemos felizes à revelação dessa paixão que nos persegue sem nos violentar e que se faz humilde para se tornar próxima ?


Que esse dia não tarde, para não termos de chorar tanto tempo perdido !...


O Pai Nosso, que é uma síntese da espiritualidade cristã, só deveria ser pronunciado por quem fosse capaz de olhar para os outros, sem excepção, como irmãos.


Só deveríamos ousar a oração do Pai Nosso a partir do momento em que fôssemos capazes de amar todos os outros que, por forças desse amor paterno e universal, fazem parte dessa imensa família em que todos temos como “nosso” o mesmo Pai.


Não se trata de forçar a sensibilidade para um amor entendido como sentimento.


* Trata-se antes de desejar amar na lógica do amor de Deus cujo coração é infinitamente maior do que o nosso, e que nos quer ensinar a sairmos dos nossos limites.


Trata-se de ultrapassar todas as barreiras :

* - Da discriminação.

* - Dos preconceitos.

* - Da marginalização.

* - Do cubismo e da acepção das pessoa


Rezar o Pai Nosso, fazendo dele um programa de vida, no desejo :

* - De cumprir toda a palavra.

* - De partilhar o pão e o perdão.

* - De trabalhar pela reconciliação e pela paz.


Rezar o pai Nosso, procurando torná-lo cada dia mais autêntico :

* - Pela sinceridade das preces.

* - Pela generosidade da entrega.

* - Pela humildade do propósito.

* - Pela confiança naquele a quem dirigimos a palavra.


Temos muita responsabilidade quando rezamos o Pai Nosso, porque pedimos a Deus que nos perdoe como nós perdoamos aos outros, sabendo perfeitamente que, em muitos casos:


* - Não perdoamos aos outros.

* - Há pessoas de quem não gostamos.

* - Há ofensas que dificilmente esquecemos...

* - E, todavia, pedir conscientemente a Deus que nos perdoe como nós perdoamos... é pedir a Deus que não nos perdoe.


Pensando bem :

* - Fomos criados à imagem e semelhança de um Deus cuja logica é o perdão.

* - Deus entra na cena humana com um coração de misericórdia, decidido a oferecer o perdão a todos os que o quiserem receber.

* - Desta maneira, para nós amar é sinônimo de perdoar.

* - Só existimos na justa medida em que perdoamos.


Nesta história de misérias e traições, de pecados e infidelidades como é a nossa, o amor de Deus chama-se perdão e a nossa vocação, a condição da nossa subsistência, é sermos instrumentos capazes de construir o amor que cura e salva, indispensável para podermos ficar incluídos no plano da História da Salvação.



John Nascimento

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